Com novas tecnologias, São Bernardo inicia instalação de dispositivos para controle da dengue
A Prefeitura de São Bernardo, sob gestão de Marcelo Lima, iniciou a instalação de novas ferramentas tecnológicas que visam medir e reduzir a incidência do mosquito Aedes aegypti, vetor de diversas arboviroses como dengue, zika, chikungunya e febre amarela. Na fase inicial, foram colocadas seis ovitrampas, pequenos recipientes com água e levedo de cerveja no seu interior e uma lâmina onde a fêmea do Aedes, atraída pelo levedo, vai botar seus ovos. O objetivo é identificar o nível de infestação do mosquito.
Na próxima fase, de acordo com cronograma da Divisão de Veterinária e Controle de Zoonoses da Secretaria de Saúde de São Bernardo, serão instalados 500 EDLs (Estações Disseminadoras de Larvicida) onde a fêmea vai ter contato com o larvicida e ao procurar um novo foco para botar seus ovos vai contaminá-lo, impedindo o desenvolvimento das larvas até a fase de mosquito.
A Vila São Pedro foi escolhida pelo Ministério da Saúde para receber os equipamentos e a nova tecnologia no combate à dengue por ser uma das 20 maiores comunidades do Brasil. As ovitrampas têm se consolidado como um importante indicador para o controle de arboviroses.
Desenvolvidas pela Fiocruz (Fundação Osvaldo Cruz), as EDLs têm se mostrado uma estratégia bem-sucedida no controle do mosquito Aedes aegypti. Os dispositivos, que se assemelham a baldes, serão colocados nos quintais e em imóveis considerados estratégicos. Uma vez por mês, os agentes de combate às endemias irão ao local para verificar o nível de água e de larvicida. Cabe ao morador e/ou locatário do imóvel ir repondo a água do recipiente, conforme as instruções que serão passadas.
INSTALAÇÃO - A instalação das ovitrampas foi realizada nesta quinta-feira (2/7). Nas ruas Dos Pioneiros, Das Rosas e Bahia e na Avenida Dom Pedro de Alcântara, cinco residências e uma igreja, a Diocesana de Santo André, receberam os dispositivos. Em cinco dias, equipes de Controle de Zoonoses retornam aos locais para coletar as lâminas onde estarão os ovos. Os recipientes permanecerão nos endereços por duas semanas. A expectativa é que em agosto comece a instalação das EDLs, que ficarão nos locais selecionados por seis meses. Uma vez ao mês, as equipes voltarão para conferir o nível de água nos recipientes.
ESTRATÉGIA - O coordenador das equipes de combate de endemias do CCZ (Centro de Controle de Zoonoses), Ronaldo Novaes de Souza, ressaltou que as EDLs são estações disseminadoras de larvicida, uma espécie de armadilha, onde a fêmea do Aedes aegypti entra para colocar os seus ovos e, neste momento, entra em contato com uma tela impregnada com larvicida. Dessa forma, a fêmea não morre, mas quando ela sai para outro foco, leva o larvicida com ela, que mata todas as larvas que entrarem em contato com o produto, evitando que elas evoluam para mosquitos adultos. "O trabalho de prevenção precisa ser feito neste período de inverno, quando historicamente os casos caem. Para que quando chegar a próxima temporada de chuvas, época em que o mosquito se prolifera, eles tenham reduzido em quantidade. A médio e longo prazos, isso vai resultar na queda nos casos de dengue", detalhou.
REFERÊNCIA - São Bernardo tem tido um desempenho reconhecido pela excelência no controle da doença. De 1º de janeiro a 2 de maio, segundo dados do Painel de Monitoramento das Arboviroses, do Ministério da Saúde, o município registrou a menor incidência de casos de dengue a cada grupo de 100 mil habitantes, na comparação com as dez cidades da Região Metropolitana de São Paulo que contam com mais de 300 mil habitantes. A incidência no período é de 5,4 casos a cada grupo de 100 mil habitantes. Cidade com população numericamente próxima a São Bernardo, Osasco apresenta 124,6 casos por cada grupo de 100 mil habitantes. Barueri, Santo André e Guarulhos tiveram 10,5, 13,6 e 20,9, respectivamente.

