Doação de medula óssea: 7 mitos que podem impedir alguém de salvar uma vida
“Para doar medula óssea, precisa mexer na coluna?” A dúvida parece estranha para quem conhece o procedimento, mas é uma das principais razões pelas quais algumas pessoas têm receio de se cadastrar como doadoras. E o primeiro mito pode ser desfeito de forma simples: não, a medula óssea não é retirada da coluna.
A confusão acontece porque existem duas estruturas com nomes semelhantes, mas funções completamente diferentes. A medula espinhal fica localizada na coluna vertebral, enquanto a medula óssea é um tecido encontrado dentro dos ossos, o conhecido tutano. “Quando a doação ocorre por punção direta, ela nã o é feita na coluna, mas no osso da bacia”, explica a hematologista Beatriz Nery, médica do Instituto de Oncologia de Sorocaba (IOS).
Mas esse está longe de ser o único equívoco relacionado à doação. Afinal, é preciso passar por cirurgia? Dói? O organismo consegue repor o que foi retirado? E quem se cadastra realmente tem grandes chances de ser chamado? Confira os principais mitos:
“A medula é retirada da coluna”
MITO. A medula espinhal, localizada na coluna, não é a mesma coisa que a medula óssea. A segunda fica no interior dos ossos e é responsável pela produção das células do sangue. Quando a coleta é feita diretamente da medula óssea, a punção acontece no osso da bacia, e não na coluna.
“Toda doação de medula exige cirurgia”
MITO. Existem duas formas de coleta. Em uma delas, as células-tronco são retiradas do sangue periférico por meio de uma máquina de aférese, que separa as células necessárias e devolve o restante ao doador. Na outra, a medula óssea é coletada por punção no osso da bacia, em centro cirúrgico e sob anestesia geral. A escolha do método depende principalmente da doença que será tratada.
“Doar medula é extremamente doloroso”
MITO. A experiência varia de acordo com o método utilizado. Na coleta por aférese, pode haver algum desconforto antes da doação, já que são aplicadas injeções para estimular a migração das células-tronco da medula para o sangue. Já na punção direta, o procedimento é realizado sob anestesia geral. Portanto, o doador não sente dor durante a coleta. Nos dias seguintes, pode haver desconforto no local da punção, que pode ser controlado com analgésicos.
“Depois da doação, o organismo fica sem medula”
MITO. O organismo repõe as células que foram doadas. Segundo a médica, esse processo leva, em média, de 10 a 20 dias. Durante esse período, é comum que o doador apresente algum cansaço, especialmente nos dias seguintes ao procedimento.
“Quem se cadastra provavelmente será chamado para doar”
MITO. A chance de um cadastro resultar em uma doação é baixa. Isso acontece porque a compatibilidade entre doador e receptor depende de características genéticas bastante específicas. “Quando um doador é chamado, significa que, dentre uma enorme variabilidade genética, há compatibilidade com o receptor”, explica a hematologista. Por isso, o cadastro não significa que a pessoa necessariamente terá de realizar a doação. Ao contrário: quanto maior e mais diversificado for o registro de potenciais doadores, maiores são as possibilidades de encontrar alguém compatível para quem precisa do transplante.
“Qualquer pessoa saudável pode se cadastrar”
MITO. Existem critérios de idade e saúde para o cadastro. Em geral, prioriza-se a inclusão de pessoas entre 18 e 35 anos, e o doador permanece ativo nos registros até os 60 anos. Também são investigadas condições que podem interferir na elegibilidade, como histórico pessoal de câncer, algumas doenças autoimunes, infecções crônicas — entre elas tuberculose, doença de Chagas e hepatites — e determinadas condições crônicas, como diabetes, obesidade e insuficiência cardíaca.
“Transplante de medula serve apenas para tratar câncer”
MITO. Embora seja uma modalidade importante no tratamento de algumas doenças malignas do sangue, como leucemias, linfomas, mieloma e neoplasias mielodisplásicas, o transplante também pode ser indicado para algumas doenças benignas. Entre elas estão determinadas imunodeficiências primárias, anemia falciforme e falências medulares congênitas.
Sobre o Instituto de Oncologia de Sorocaba
Referência há 30 anos em quimioterapias e infusões oncológicas e não oncológicas, o Instituto de Oncologia de Sorocaba (IOS), junto com o Hospital Evangélico de Sorocaba (HES), integra o hub Sorocaba da Hospital Care, uma das maiores administradoras de serviços de saúde do país.
O instituto possui uma equipe multidisciplinar altamente capacitada formada por médicos, farmacêuticos, nutricionista, psicóloga e enfermeiros. Com estrutura completa, conta com quartos individuais e acolhedores e atendimento humanizado. Atende a mais de 20 convênios, entre eles, Funserv, Amil, Bradesco Saúde e Sulamérica.
O IOS tem acreditação internacional de qualidade pela Agencia de Calidad Sanitaria de Andalucía (ACSA) desde 2021. Foi a segunda instituição de oncologia no país a obter essa certificação.

