Por diagnóstico eficiente, São Bernardo oficializa protocolo inédito de atendimento a pacientes oncológicos

A Prefeitura de São Bernardo, por meio da Secretaria de Saúde, apresentou nesta segunda-feira (1º/6), em evento realizado no auditório da Faculdade de Direito de São Bernardo, o protocolo de Alta Suspeição Oncológica. O documento, formalizado e institucionalizado após um ano de intenso trabalho multidisciplinar, irá servir como uma bússola para os profissionais de saúde, desde a atenção básica até a atenção hospitalar, com objetivo de diagnosticar o mais precocemente possível os casos de câncer na cidade.

O evento de apresentação do protocolo marcou o encerramento de atividades que se iniciaram em 21 de maio e contaram com a realização de oficinas nas quais os profissionais de saúde puderam discutir casos reais e aprender mais sobre o assunto. A formação, que foi realizada pelo Departamento de Apoio à Gestão do SUS, com organização da Escola de Saúde e apoio de representantes de todas as unidades do Complexo Hospitalar de São Bernardo, contou com a participação de médicos, dentistas, enfermeiros, equipes multiprofissionais, assistente social e profissionais administrativos que atuam na regulação e na navegação dos pacientes dentro da rede.

Compuseram a mesa solene o diretor de Atenção Hospitalar, Urgência e Emergência, Dr. Misael Blanco, a diretoria do Departamento de Atenção Básica e Gestão do Cuidado, Debora Durante, a diretora do Departamento de Apoio à Gestão do SUS, Millena Martins de Oliveira, a gerente técnica assistencial do Hospital de Câncer Padre Anchieta, Tais Zampieri Vassi, a diretora do Departamento de Atenção Especializada, Renata Lopes, e a diretora do Departamento de Administração, Aparecida Tunes.

OFICINAS - A diretora da Escola de Saúde, Priscila Silva, pontuou que as oficinas serviram para disseminar todo o conhecimento que vem sendo produzido ao longo do último ano sobre o tema. "É a primeira vez que São Bernardo tem um documento único para nortear o atendimento dos pacientes oncológicos, para que todos os profissionais estejam prontos e atentos para identificar os casos o mais precocemente possível, garantindo mais sucesso no tratamento e a cura dos pacientes", detalhou.

Diretora do Departamento de Apoio à Gestão do SUS, Millena agradeceu a participação de todos os profissionais - mais de 300 - e dos monitores das oficinas, além de lembrar da importância de cada um ser multiplicador dos conhecimentos adquiridos. "Conseguimos alcançar profissionais de toda a rede e nossa missão é passar para a frente, para quem não pode estar aqui, tudo o que foi aprendido", reforçou.

MOMENTO DE TROCAS - A médica infectologista do Hospital Anchieta e do Hospital da Mulher de São Bernardo, Mariliza Henrique da Silva, fez uma apresentação sobre os tópicos discutidos nas oficinas e destacou os sinais de alertas que não devem ser ignorados pelos profissionais de saúde, elementos que comumente levam ao atraso dos diagnósticos e o impacto dessa demora, tanto para os pacientes quanto para o sistema assistencial. "O câncer diagnosticado cedo aumenta as chances de sobrevida dos pacientes e resulta em menos gastos para o seu tratamento", afirmou.

Após a apresentação, foi realizado um fórum de dúvidas e compartilhamento de experiências entre os participantes, com discussões sobre situações vivenciadas no cotidiano dos serviços de saúde. O debate abordou o papel de cada ponto da rede assistencial — da Atenção Primária aos serviços de urgência e emergência, atenção especializada, hospitais, regulação e gestão — no acolhimento, encaminhamento e acompanhamento dos pacientes com suspeita de câncer.

Durante a troca de experiências, foram reforçadas estratégias consideradas fundamentais para o fortalecimento da linha de cuidado oncológica, como a utilização dos protocolos de alta suspeição, a navegação do paciente pela rede, a devolutiva estruturada entre os serviços, o monitoramento de indicadores e as ações permanentes de qualificação profissional. A discussão incluiu, ainda, que o diagnóstico oportuno é uma responsabilidade compartilhada entre todos os níveis de atenção e depende de uma rede organizada, integrada e comprometida com a redução do tempo entre a suspeita e o início do tratamento.