Nutricionista aponta fatores que dificultam o trânsito intestinal no frio e alerta para riscos de complicações
Com a chegada do inverno, muitas pessoas enfrentam um desconforto intestinal pouco comentado: a constipação. O problema, também conhecido como prisão de ventre, pode se intensificar durante os meses frios, impactando a qualidade de vida e gerando complicações como hemorroidas, fissuras anais e, em casos mais graves, até obstruções intestinais.
Segundo dados de estudos nacionais, a constipação intestinal afeta aproximadamente 27% a 50% dos adultos, com maior prevalência em mulheres e indivíduos com obesidade abdominal. Entre crianças de 2 a 10 anos, a estimativa varia de 14% a 38%, enquanto idosos institucionalizados podem alcançar índices alarmantes de 50% a 75% de prevalência. O Ministério da Saúde reforça que fatores como alimentação pobre em fibras, baixa ingestão de água e sedentarismo são determinantes para esse quadro.
De acordo com a nutricionista Michelle Lucas, a constipação no inverno está relacionada a hábitos típicos da estação, como menor ingestão de água, redução da atividade física e alterações na alimentação e na rotina. “No inverno, nosso corpo tende a pedir menos líquidos, dormir mais e buscar alimentos reconfortantes — todos fatores que impactam diretamente na saúde intestinal. A constipação, além do desconforto, pode acarretar complicações importantes e afetar muito o bem-estar. Precisamos manter a hidratação e os estímulos intestinais, mesmo em dias frios”, alerta a especialista.
Entenda os principais fatores de risco no frio
✅ Menor ingestão de água e risco de desidratação
A sensação de sede diminui nos dias frios, o que leva à menor ingestão de água. Esse fator facilita a reabsorção hídrica no intestino, deixando as fezes ressecadas e dificultando a evacuação. Entre idosos, a situação é ainda mais preocupante devido ao maior risco de desidratação.
✅ Líquidos não substituem a água
Chás, sucos e sopas podem complementar a hidratação, mas não substituem a ingestão adequada de água pura, essencial para a saúde intestinal.
✅ Aumento do sedentarismo
As temperaturas mais baixas costumam reduzir a prática de exercícios, o que prejudica a tonicidade da musculatura intestinal e os movimentos peristálticos necessários ao trânsito intestinal.
✅ Alimentos calóricos e pobres em fibras
Massas, doces e bebidas quentes são escolhas frequentes no inverno, mas normalmente têm baixo teor de fibras. Além disso, bebidas diuréticas, como café e alguns chás, podem aumentar a perda de líquidos.
✅ Mudanças no sono e na rotina
Alterações nos horários de sono e na rotina (como viagens ou feriados) podem desregular o chamado “relógio intestinal”, reduzindo a frequência das evacuações.
Dicas da nutricionista para a temporada
• Hidratação constante: 2 a 3 litros de água por dia, complementando com chás mornos e sopas nutritivas
• Fibras em destaque: frutas, verduras e cereais integrais devem ser prioridade
• Movimente-se: mesmo em casa, aposte em caminhadas, alongamentos e exercícios de resistência
• Ajustes na alimentação: reduzir carboidratos simples e incluir oleaginosas, sementes e grãos
• Rotina intestinal: respeitar os sinais do corpo e não segurar a vontade de evacuar
• Magnésio citrato: pode ser um aliado noturno, auxiliando tanto no sono quanto na motilidade intestinal, sempre sob orientação

