Choque ou Oportunidade? O Impacto das Gerações na Cultura Corporativa

Se no passado o perfil de uma equipe era relativamente homogêneo, com trabalhadores da mesma faixa etária e trajetória, o cenário atual é marcado pela presença de quatro gerações dividindo o mesmo ambiente corporativo, cada uma com suas expectativas, valores, estilos de comunicação e formas de lidar com a liderança.

A convivência entre Baby Boomers, Geração X, Millennials ou Geração Z nos escritórios tem exigido das empresas mais do que empatia intergeracional. Tem exigido estratégia.
Segundo uma pesquisa global da McKinsey & Company, empresas que adotam práticas de diversidade geracional bem estruturadas têm 35% mais chances de superar concorrentes em desempenho financeiro.

Para o especialista em liderança Gustavo Rocha, que há mais de 15 anos atua em grandes corporações desenvolvendo lideranças de alta performance, entender as dinâmicas entre as gerações é um diferencial de gestão.

Muitos líderes ainda tentam encaixar todas as gerações numa mesma régua de cobrança e engajamento. Isso é um erro. O que motiva um Baby Boomer dificilmente será o que move um Gen Z.

O líder precisa ser fluente na linguagem de cada geração, e mais que isso, precisa criar pontes", afirma Gustavo.
As divergências são reais. Enquanto Baby Boomers e parte da Geração X valorizam estabilidade, reconhecimento institucional e processos lineares, Millennials e Gen Z preferem agilidade, propósito e autonomia.

Essa diferença pode gerar conflitos ou sinergias poderosas, quando bem conduzidas. Um estudo do Linkedin mostrou que empresas com programas de mentoria reversa nos quais jovens ensinam líderes seniores sobre tecnologia e comportamento digital apresentam índices mais altos de inovação e retenção de talentos.

“O problema não é ter quatro gerações no mesmo time. O problema é não ter liderança preparada para aproveitar o melhor de cada uma. Quando isso acontece, o que antes era motivo de ruído vira capital humano de valor imensurável", complementa Gustavo Rocha. Com o avanço do trabalho híbrido e das tecnologias de gestão, o papel da liderança também passou por reformulação.

Hoje, espera-se do líder não apenas performance, mas inteligência emocional, sensibilidade cultural e visão estratégica de diversidade. "Liderar hoje é uma arte muito mais fina. É necessário calibrar escuta, clareza e confiança em um cenário onde as expectativas são múltiplas e as urgências são muitas. Mas quem consegue se adaptar, colhe os melhores resultados", conclui o especialista.

Em tempos em que o turnover assombra e a cultura organizacional se tornou uma das maiores armas de atração e retenção de talentos, saber navegar pela complexidade geracional deixou de ser um diferencial é uma urgência.